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Doenças neuromusculares

Publicado em 2 de setembro de 2026 | Dr. Murilo Galvão Guiotti – CRM-DF 18697 – RQE nº 13416

Conteúdo em revisão pela equipe médica.

O que é, sintomas e diagnóstico

A síndrome de Guillain-Barré é a causa mais comum de paralisia flácida aguda no mundo.

É uma doença autoimune rara em que o sistema de defesa, geralmente ativado por uma infecção nas semanas anteriores – intestinal (destacando-se o Campylobacter jejuni), respiratória ou por arbovírus como o zika -, ataca os nervos periféricos.¹ O quadro típico é de fraqueza progressiva e razoavelmente simétrica que começa nas pernas e ascende, acompanhada de diminuição ou perda dos reflexos, formigamento e, com frequência, dor; a piora atinge seu máximo em até 4 semanas (em geral, em 2).

Podem ocorrer paralisia facial bilateral, dificuldade para engolir e falar e, nos casos graves (cerca de 20-25%), comprometimento dos músculos respiratórios, exigindo ventilação mecânica – por isso todo paciente com suspeita deve ser internado e monitorado de perto, inclusive quanto a alterações da pressão arterial e do ritmo cardíaco (disautonomia).

O diagnóstico é clínico, apoiado pelo exame do líquor (proteína elevada com poucas células, a "dissociação albuminocitológica") e pela eletroneuromiografia.¹

Tratamento e acompanhamento

O tratamento imunológico deve ser iniciado precocemente nos pacientes que não conseguem andar sem ajuda ou que pioram rapidamente: imunoglobulina intravenosa (0,4 g/kg/dia por 5 dias) ou plasmaférese, igualmente eficazes – não há benefício em combiná-las, e corticoides não funcionam nesta doença.¹ Junto vêm os cuidados de suporte: monitorização respiratória e cardíaca, prevenção de trombose, controle da dor e fisioterapia desde o início.

A maioria dos pacientes se recupera bem ao longo de semanas a meses, embora a recuperação possa ser lenta; uma parcela permanece com fraqueza residual, dormência, dor ou fadiga persistente, e a reabilitação prolongada faz diferença nesses casos. Recaídas verdadeiras são raras.

Após a fase aguda, o seguimento com o neurologista acompanha a recuperação e trata os sintomas residuais.

Referências científicas

  1. Leonhard SE, et al. Diagnosis and management of Guillain-Barré syndrome in ten steps. Nat Rev Neurol. 2019;15(11):671-683. DOI: 10.1038/s41582-019-0250-9 | PubMed
Aviso: as informações deste texto têm caráter informativo e não substituem uma consulta médica. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um médico. Em emergências, ligue 192 (SAMU).

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