Doenças neuromusculares
Conteúdo em revisão pela equipe médica.
O que é, sintomas e diagnóstico
A neuropatia diabética é a complicação neurológica mais comum do diabetes: até metade das pessoas com a doença desenvolve algum grau de lesão dos nervos ao longo da vida, segundo o posicionamento da American Diabetes Association.¹ A forma mais frequente é a polineuropatia sensitivo-motora distal, em que os sintomas começam nos dedos dos pés e sobem lentamente em padrão de "bota e luva": formigamento, dormência, queimação, agulhadas e dor, tipicamente piores à noite.
O diagnóstico é essencialmente clínico, feito no consultório com testes simples de sensibilidade – como o monofilamento de 10 g e o diapasão de 128 Hz – que devem ser realizados anualmente em todo paciente diabético; a eletroneuromiografia é reservada para casos atípicos.
A perda de sensibilidade faz com que pequenos machucados nos pés passem despercebidos, aumentando muito o risco de úlceras e amputações. O diabetes também pode afetar os nervos autonômicos, causando tontura ao levantar, alterações digestivas, urinárias e da sudorese.
Tratamento e acompanhamento
A base do tratamento é o controle rigoroso da glicemia, da pressão arterial e do colesterol, junto com atividade física e alimentação adequada – no diabetes tipo 1, o bom controle glicêmico comprovadamente previne a neuropatia.
Para a dor neuropática, os medicamentos de primeira linha são a pregabalina, a gabapentina e a duloxetina; a amitriptilina e a venlafaxina são alternativas frequentes, e analgésicos comuns costumam ter pouco efeito.¹ O cuidado diário com os pés é obrigatório: examiná-los todos os dias (inclusive entre os dedos), usar calçados adequados, nunca andar descalço, hidratar a pele e procurar atendimento imediato diante de qualquer ferida.
Evitar álcool e cigarro também protege os nervos.
Referências científicas
- Pop-Busui R, et al. Diabetic Neuropathy: A Position Statement by the American Diabetes Association. Diabetes Care. 2017;40(1):136-154. DOI: 10.2337/dc16-2042 | PubMed