Infecções do sistema nervoso
Conteúdo em revisão pela equipe médica.
O que é, sintomas e diagnóstico
A neurocisticercose é a infecção parasitária mais comum do sistema nervoso central e uma das principais causas de epilepsia adquirida nas regiões endêmicas – incluindo áreas do Brasil e da América Latina.
Ela ocorre quando a pessoa ingere ovos da tênia Taenia solium (presentes em água ou alimentos contaminados por fezes de um portador do verme intestinal), e as larvas formam cistos no cérebro.
As manifestações mais comuns são crises epilépticas e dor de cabeça; cistos nos ventrículos podem bloquear a circulação do líquor e causar hidrocefalia (com vômitos e rebaixamento da consciência), uma situação grave.
O diagnóstico segue os critérios revisados de Del Brutto: baseia-se fundamentalmente na neuroimagem (tomografia e ressonância), que pode mostrar cistos – às vezes com o escólex, a "cabeça" do parasita, visível dentro, o que é critério absoluto -, lesões captantes de contraste e calcificações, apoiada por exames de sangue e líquor (sorologia) e por dados de exposição, como residência em área endêmica ou contato domiciliar com portador de teníase.¹
Tratamento e acompanhamento
O tratamento é individualizado conforme o número, o estágio e a localização dos cistos: cistos viáveis são tratados com antiparasitários – albendazol, isolado ou associado ao praziquantel – sempre acompanhados de corticoide (dexametasona ou prednisona) para controlar a inflamação em torno dos cistos em degeneração; as crises epilépticas são controladas com medicamentos anticrise; e a hidrocefalia pode exigir neurocirurgia (retirada endoscópica do cisto ou derivação).¹ Calcificações antigas não requerem antiparasitário, apenas o controle das crises.
A prevenção é sanitária: lavar as mãos e os alimentos, consumir água tratada, cozinhar bem a carne de porco e tratar os portadores de teníase na família – o portador do verme intestinal, e não o porco, é a fonte direta da contaminação humana.
Outras parasitoses podem atingir o sistema nervoso, como a neurotoxoplasmose (importante em pessoas com imunidade comprometida) e a neuroesquistossomose, que costuma afetar a medula espinhal.
Referências científicas
- Del Brutto OH, et al. Revised diagnostic criteria for neurocysticercosis. J Neurol Sci. 2017;372:202-210. DOI: 10.1016/j.jns.2016.11.045 | PubMed