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Eixo

Neuroimunologia | Esclerose múltipla

Publicado em 2 de setembro de 2026 | Dra. Priscilla Mara Proveti de Lima – CRM-DF 20966 – RQE nº 12943

Conteúdo em revisão pela equipe médica.

O que é, sintomas e diagnóstico

A esclerose múltipla é uma doença inflamatória autoimune em que o sistema de defesa ataca a bainha de mielina do cérebro, da medula espinhal e dos nervos ópticos.

Cerca de 2,8 milhões de pessoas vivem com a doença no mundo (35,9 por 100.000 habitantes), com prevalência crescente; ela atinge duas vezes mais mulheres e é tipicamente diagnosticada por volta dos 32 anos.¹ Na forma mais comum (remitente-recorrente), ocorrem surtos: sintomas neurológicos que se instalam ao longo de horas a dias e duram mais de 24 horas – como perda ou embaçamento visual em um olho com dor à movimentação (neurite óptica), dormência ou fraqueza em membros, visão dupla, desequilíbrio, alterações urinárias – seguidos de recuperação parcial ou total.

O diagnóstico segue os critérios de McDonald 2017: demonstração de disseminação das lesões no espaço (diferentes regiões do sistema nervoso) e no tempo (lesões novas ou de idades diferentes), por meio da clínica e da ressonância magnética, podendo o exame do líquor (bandas oligoclonais) substituir o critério temporal – o que permite diagnóstico e tratamento cada vez mais precoces.²

Tratamento e acompanhamento

O tratamento mudou radicalmente o curso da doença. Os surtos são tratados com corticoide em altas doses (metilprednisolona).

Para modificar a evolução existem hoje muitas opções, das injetáveis clássicas (interferonas beta, acetato de glatirâmer) aos comprimidos (fumarato de dimetila, teriflunomida, fingolimode, cladribina) e aos anticorpos monoclonais de alta eficácia (natalizumabe, ocrelizumabe, ofatumumabe, alentuzumabe) – quanto mais cedo iniciado o tratamento, menor o acúmulo de incapacidade.

Complementam o cuidado: não fumar (o tabagismo piora a doença), manter vitamina D adequada, exercício físico regular, tratamento da fadiga, da depressão e dos sintomas urinários, e reabilitação quando necessária. Com acompanhamento regular e adesão ao tratamento, a maioria das pessoas mantém vida ativa, produtiva e independente.

Referências científicas

  1. Walton C, et al. Rising prevalence of multiple sclerosis worldwide: insights from the Atlas of MS, third edition. Mult Scler. 2020;26(14):1816-1821. DOI: 10.1177/1352458520970841 | PubMed
  2. Thompson AJ, et al. Diagnosis of multiple sclerosis: 2017 revisions of the McDonald criteria. Lancet Neurol. 2018;17(2):162-173. DOI: 10.1016/S1474-4422(17)30470-2 | PubMed
Aviso: as informações deste texto têm caráter informativo e não substituem uma consulta médica. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um médico. Em emergências, ligue 192 (SAMU).

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