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Eixo

Neurodesenvolvimento

Publicado em 2 de setembro de 2026 | Equipe Eixo – material informativo para pacientes

Conteúdo em revisão pela equipe médica.

O que são e como se manifestam

A encefalopatia neonatal é a alteração da função cerebral do recém-nascido a termo (ou quase a termo) nos primeiros dias de vida, manifestada por dificuldade para iniciar e manter a respiração, sucção débil, alteração do tônus (bebê muito "molinho" ou muito rígido), rebaixamento do nível de consciência ou irritabilidade e, com frequência, crises epilépticas.

Sua incidência é estimada em cerca de 3 casos por 1.000 nascidos vivos, e a forma associada à falta de oxigênio e fluxo sanguíneo em torno do parto – a encefalopatia hipóxico-isquêmica – ocorre em cerca de 1,5 por 1.000, com números maiores em países em desenvolvimento.¹ Outras causas incluem infecções, alterações metabólicas, AVC perinatal e doenças genéticas.

Nos casos moderados e graves de origem hipóxico-isquêmica, a hipotermia terapêutica (resfriamento corporal controlado a cerca de 33,5 °C por 72 horas), iniciada nas primeiras 6 horas de vida, é o tratamento padrão: a revisão Cochrane mostrou redução significativa de morte ou incapacidade grave (é preciso tratar apenas 7 bebês para evitar um desfecho grave).²

Reabilitação e acompanhamento

A evolução é variável: muitos bebês se recuperam completamente, enquanto outros podem desenvolver paralisia cerebral, epilepsia, atrasos do desenvolvimento, déficits visuais, auditivos e dificuldades de aprendizagem que só se manifestam na idade escolar.

Por isso, todo bebê que teve encefalopatia neonatal deve manter seguimento regular com pediatra e neurologista infantil, com avaliações padronizadas do desenvolvimento, exames de visão e audição, e encaminhamento imediato para estimulação precoce, fisioterapia e fonoaudiologia ao menor sinal de atraso – a intervenção precoce aproveita a maior plasticidade do cérebro nos primeiros anos.

Crises epilépticas devem ser tratadas com medicamentos anticrise, e a família deve receber orientação e suporte contínuos.

Referências científicas

  1. Kurinczuk JJ, et al. Epidemiology of neonatal encephalopathy and hypoxic-ischaemic encephalopathy. Early Hum Dev. 2010;86(6):329-338. DOI: 10.1016/j.earlhumdev.2010.05.010 | PubMed
  2. Jacobs SE, et al. Cooling for newborns with hypoxic ischaemic encephalopathy. Cochrane Database Syst Rev. 2013;(1):CD003311. DOI: 10.1002/14651858.CD003311.pub3 | PubMed
Aviso: as informações deste texto têm caráter informativo e não substituem uma consulta médica. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um médico. Em emergências, ligue 192 (SAMU).

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