Cefaleia
Conteúdo em revisão pela equipe médica.
O que é, sintomas e diagnóstico
Quem sofre de dores de cabeça frequentes pode, sem perceber, entrar em um ciclo em que o próprio remédio para dor passa a perpetuar a dor.
Essa condição, chamada cefaleia por uso excessivo de medicamentos, atinge cerca de 1% da população geral, sendo bem mais comum em quem já tem enxaqueca, especialmente a forma crônica.¹ Pelos critérios da ICHD-3, ela é diagnosticada quando a pessoa tem dor de cabeça em 15 ou mais dias por mês, já tinha uma cefaleia prévia (geralmente enxaqueca ou cefaleia tensional) e vem usando, por mais de 3 meses, analgésicos simples (paracetamol, dipirona, anti-inflamatórios) em 15 ou mais dias por mês, ou triptanos, opioides, ergotamínicos ou analgésicos combinados (com cafeína, por exemplo) em 10 ou mais dias por mês.² A dor torna-se quase diária, costuma estar presente já ao acordar, e o remédio traz alívio cada vez menor e mais curto.
Tratamento e acompanhamento
O tratamento tem três pilares, conforme revisão de Diener e colaboradores: educação do paciente sobre a relação entre o uso frequente de analgésicos e a cronificação da dor; início de um tratamento preventivo eficaz para a cefaleia de base – como topiramato ou toxina botulínica (onabotulinumtoxinA) na enxaqueca crônica, além dos anticorpos anti-CGRP; e a retirada (desintoxicação) do medicamento em excesso, que pode ser feita ambulatorialmente na maioria dos casos, com piora temporária da dor nas primeiras 1 a 2 semanas.¹ As taxas de sucesso ficam em torno de 50% a 70%, com maior risco de recaída quando o medicamento em excesso é opioide.
Como regra prática de prevenção, procure não usar remédios para dor de cabeça em mais de 2 dias por semana e registre em um diário os dias de dor e de medicação.
Referências científicas
- Diener HC, et al. Medication-overuse headache: risk factors, pathophysiology and management. Nat Rev Neurol. 2016;12(10):575-583. DOI: 10.1038/nrneurol.2016.124 | PubMed
- Headache Classification Committee of the IHS. The International Classification of Headache Disorders, 3rd edition. Cephalalgia. 2018;38(1):1-211. DOI: 10.1177/0333102417738202 | PubMed