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Eixo

Transtornos do movimento

Publicado em 2 de setembro de 2026 | Dr. Pedro Renato de Paula Brandão – CRM-DF 18853 – RQE nº 11791

Conteúdo em revisão pela equipe médica.

O que é, sintomas e diagnóstico

Tiques são movimentos ou vocalizações súbitos, rápidos, recorrentes e não ritmados – piscar, fazer caretas, encolher os ombros, pigarrear, fungar, emitir sons – precedidos por uma sensação premonitória de "necessidade" e parcialmente supressíveis por algum tempo, à custa de desconforto crescente.

São muito comuns na infância: tiques transitórios ocorrem em uma parcela expressiva das crianças em idade escolar e desaparecem sozinhos.

Quando tiques motores múltiplos e pelo menos um tique vocal estão presentes por mais de um ano, com início antes dos 18 anos, configura-se a síndrome de Tourette; tiques só motores ou só vocais por mais de um ano caracterizam o transtorno de tique crônico.

Os tiques flutuam, pioram com ansiedade, cansaço e excitação, e tipicamente atingem seu pico no início da adolescência, melhorando substancialmente na maioria dos casos até o início da vida adulta.¹ É muito frequente a associação com TDAH, transtorno obsessivo-compulsivo e ansiedade – que muitas vezes causam mais prejuízo que os próprios tiques.

Tratamento e acompanhamento

A diretriz da American Academy of Neurology orienta o tratamento em degraus.¹ Quando os tiques são leves, bastam a psicoeducação da criança, da família e da escola (não repreender nem chamar atenção para os tiques) e a vigilância ativa.

Quando causam dor, prejuízo funcional ou sofrimento social, a primeira linha é a terapia comportamental específica – a Intervenção Comportamental Abrangente para Tiques (CBIT), que inclui o treino de reversão de hábito.

Se necessário, associam-se medicamentos: agonistas alfa-2 (clonidina, guanfacina), especialmente úteis quando há TDAH junto; antipsicóticos (aripiprazol, risperidona, haloperidol) para tiques mais graves; e aplicações de toxina botulínica para tiques focais incômodos. Tratar o TDAH, o TOC e a ansiedade associados frequentemente melhora também os tiques.

Para adultos com tiques graves e refratários, a estimulação cerebral profunda (DBS) pode ser considerada em centros especializados.¹

Referências científicas

  1. Pringsheim T, et al. Practice guideline recommendations summary: treatment of tics in people with Tourette syndrome and chronic tic disorders. Neurology. 2019;92(19):896-906. DOI: 10.1212/WNL.0000000000007466 | PubMed
Aviso: as informações deste texto têm caráter informativo e não substituem uma consulta médica. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um médico. Em emergências, ligue 192 (SAMU).

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