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Infecções do sistema nervoso | Reabilitação neurológica

Publicado em 2 de setembro de 2026 | Equipe Eixo – material informativo para pacientes

Conteúdo em revisão pela equipe médica.

O que são e como se manifestam

A encefalite é a inflamação do próprio tecido cerebral. As causas mais importantes são as virais – destacando-se o vírus herpes simples, a principal causa tratável – e as autoimunes, em que anticorpos atacam proteínas dos neurônios (como a encefalite anti-receptor NMDA, mais comum em mulheres jovens).

Pelo consenso do International Encephalitis Consortium, suspeita-se de encefalite diante de alteração do estado mental (rebaixamento da consciência, letargia ou mudança de personalidade) com duração de pelo menos 24 horas, acompanhada de dois ou mais achados: febre, crises epilépticas novas, sinais neurológicos focais, alterações no líquor (aumento de células), na ressonância magnética ou no eletroencefalograma.¹ A encefalite herpética é tratada com aciclovir intravenoso – iniciado o quanto antes, pois o atraso piora o prognóstico -, e as autoimunes com imunoterapia: corticoides, imunoglobulina intravenosa ou plasmaférese em primeira linha e rituximabe ou ciclofosfamida em segunda linha, além da busca de tumores associados.²

Reabilitação e acompanhamento

Mesmo com tratamento, muitas pessoas ficam com sequelas, que dependem do agente e das áreas afetadas: dificuldades de memória (típicas da encefalite herpética, que atinge os lobos temporais), alterações de comportamento e humor, epilepsia, dificuldades de linguagem, atenção e fadiga persistente; nas autoimunes, a recuperação costuma ser lenta (meses a mais de um ano), mas frequentemente substancial, e recaídas podem ocorrer, exigindo vigilância.² Após a alta, o acompanhamento neurológico serve para tratar as crises epilépticas, ajustar a imunoterapia quando indicada e monitorar a recuperação.

Reabilitação neuropsicológica, fonoaudiologia e apoio psicológico ajudam a recuperar as funções cognitivas; estratégias compensatórias – agendas, lembretes, rotinas estruturadas – e o suporte da família, da escola e do trabalho facilitam o retorno às atividades.

Referências científicas

  1. Venkatesan A, et al. Case definitions, diagnostic algorithms, and priorities in encephalitis: consensus statement of the International Encephalitis Consortium. Clin Infect Dis. 2013;57(8):1114-1128. DOI: 10.1093/cid/cit458 | PubMed
  2. Graus F, et al. A clinical approach to diagnosis of autoimmune encephalitis. Lancet Neurol. 2016;15(4):391-404. DOI: 10.1016/S1474-4422(15)00401-9 | PubMed
Aviso: as informações deste texto têm caráter informativo e não substituem uma consulta médica. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure um médico. Em emergências, ligue 192 (SAMU).

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