Neurodesenvolvimento
Conteúdo em revisão pela equipe médica.
O que são e como se manifestam
A paralisia cerebral é a deficiência física mais comum da infância, ocorrendo em cerca de 1 a cada 500 nascidos vivos.¹ Pela definição internacional, é um grupo de distúrbios permanentes do movimento e da postura, que limitam a atividade, atribuídos a uma lesão não progressiva do cérebro em desenvolvimento – ocorrida na gestação, no parto ou nos primeiros anos de vida; a lesão não piora, mas suas manifestações mudam com o crescimento, e os distúrbios motores frequentemente se acompanham de alterações de sensibilidade, cognição, comunicação, comportamento, epilepsia e problemas musculoesqueléticos secundários.² Os sinais incluem rigidez (espasticidade, a forma mais comum) ou hipotonia, atraso para sentar e andar, movimentos involuntários (formas discinéticas) e incoordenação (formas atáxicas).
Hoje o diagnóstico pode ser feito antes dos 6 meses de idade corrigida, combinando ressonância magnética, a avaliação dos movimentos generalizados (método de Prechtl) e o exame neurológico de Hammersmith – e o diagnóstico precoce permite iniciar intervenção no período de maior plasticidade cerebral.¹ Dados de países desenvolvidos mostram que 2 em cada 3 pessoas com paralisia cerebral andarão, 3 em 4 falarão e metade terá inteligência normal.¹
Reabilitação e acompanhamento
O tratamento é multiprofissional e voltado à função: fisioterapia e terapia ocupacional com treino intensivo e orientado a tarefas, fonoaudiologia (fala, comunicação alternativa e deglutição), órteses e equipamentos de mobilidade, e apoio à inclusão escolar.
A espasticidade pode ser tratada com aplicações de toxina botulínica, medicamentos orais (baclofeno, diazepam), baclofeno intratecal e, em casos selecionados, rizotomia dorsal seletiva; cirurgias ortopédicas corrigem deformidades e a vigilância do quadril previne luxações.
Devem ser cuidados também a epilepsia, a nutrição e o crescimento, a saúde óssea, a dor, o sono e a saúde emocional. O envolvimento da família em todas as decisões e o estabelecimento de metas funcionais realistas são centrais para bons resultados.
Referências científicas
- Novak I, et al. Early, accurate diagnosis and early intervention in cerebral palsy. JAMA Pediatr. 2017;171(9):897-907. DOI: 10.1001/jamapediatrics.2017.1689 | PubMed
- Rosenbaum P, et al. A report: the definition and classification of cerebral palsy April 2006. Dev Med Child Neurol Suppl. 2007;109:8-14. PubMed